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Brasília 60 anos de idade e 520 anos de Utopia

A primeira vez que vim a Brasília, em 2001, foi de forma inesperada. Ao tentar entrar numa área indígena Guarani, em Boraceia, no litoral paulista, deparei-me com uma placa onde estava escrito: ÁREA PROIBIDA. Trazia credenciais e uma bolsa de estudos da Universidade de Lyon (França) para efetuar pesquisa de mestrado nessa área indígena mas ninguém me tinha avisado desse detalhe: precisava de uma autorização da Funai para ingressar na terra indígena. O funcionário da Funai de plantão disse-me que o melhor seria eu me deslocar a Brasília para obter a tal autorização sem a qual ele não poderia me deixar entrar, e muito menos efetuar pesquisa científica. No dia seguinte entrei num ônibus rumo a Brasília. Em 2001 ainda havia pedaços de estrada sem asfalto para chegar de São Paulo a Brasília. Tive a impressão que a capital do Brasil ficava no fim do mundo. 


Quando cheguei aqui fiquei ainda mais impressionado. Para quem estava habituado às capitais do velho mundo a primeira sensação foi de frustração. Não dava para entender como funcionava a cidade, sem esquinas, sem calçadas, sem continuidade, sem charme, sem escala humana... Sem carro ficou ainda mais difícil. Por sorte um taxista indicou-me uma pousada na W3 Norte perto da antiga sede do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico) na 508 norte, onde haveria de resolver parte da minha situação. Transitando entre a sede do CNPQ e a sede da Funai (Fundação Nacional do Índio), que ficava no Setor de Rádio e TV Sul, parecia a travessia de um deserto de concreto. Escusado será dizer que Brasília não me deixou uma boa impressão. Tão logo me apanhei com o protocolo do pedido de entrada nas áreas indígenas - Funai - e com o protocolo de pedido de autorização de pesquisa cientifica - CNPQ - em mãos, deixei Brasília sem nenhuma intenção de voltar à cidade. Porém, já naquela época, fiquei fascinado com a monumentalidade de Brasília. Para escapar do calor e da poeira, passei boa parte do meu tempo dentro de bibliotecas (UNB, Biblioteca Pública, a Biblioteca Nacional ainda não existia) mergulhado em livros que contavam a história da cidade. Cidade da qual eu tinha ouvido falar na minha infância em Portugal, como sendo um imenso e arrojado projeto futurista. Esse fascínio intelectual por Brasília nunca me abandonou. Agora moro em Brasília desde 2008, cidade que aprendi a amar, não só intelectualmente mas também com o coração.

O Brasil está para a universalização do conceito de utopia assim como Brasília está para uma das mais arrojadas tentativas de realizá-la. A utopia está no DNA do Brasil. O próprio conceito de utopia está ligado ao descobrimento do Brasil. Thomas Morus, chanceler-mor do rei Henrique VIII de Inglaterra publicou em Paris, no ano de 1516 um tratado sob o título : “De optimo republicae Statu deque nova insula Utopia" ("Sobre o melhor Estado de uma República e sobre a nova ilha Utopia"), atualmente apenas conhecido pelo titulo de "Utopia". Para escrever o seu tratado Morus inspirou-se num outro tratado - Novus Orbis - publicado poucos anos antes por Américo Vespúcio. Nele descreve uma ilha que conhecera enquanto comandava uma nau da expedição do navegador português Gonçalo Coelho, financiada por cristãos novos, entre os quais Fernão de Noronha, donatário do arquipélago conhecido pelo mesmo nome que hoje se encontra ao largo da costa de Pernambuco.

Em seu tratado, Thomas Morus descreve uma cidade imaginária, totalmente planejada onde homens e mulheres procuram viver em perfeita paz e harmonia sem vícios nem pecado, livres da hipocrisia e da corrupção, que naquela época assolavam a sua Inglaterra natal. "Utopia", mais do que a descrição de uma cidade ideal, surge como uma oportunidade para Morus de tecer uma crítica mordaz à sociedade inglesa daquele tempo. Ousadia que lhe custará caro, uma vez que ele é mandado decapitar por ordem de Henrique VIII, rei de quem Morus tinha sido ilustre conselheiro, agora auto proclamado Papa, porque Morus ousou defender o Vaticano no processo de divórcio com Catarina de Aragão para casar com Anna Bolena, o que provocou o primeiro grande cisma na igreja católica e deu origem à Igreja Anglicana.

Utopia, que em grego quer dizer "em lugar nenhum" entra assim na história da cultura universal, para designar um projeto irrealizável, uma quimera, uma visão fantástica do mundo, onde as coisas não são do jeito que elas são, mas sim do jeito que alguns gostariam que elas fossem. Quando Brasília leva aquele rótulo nada simpático de “Ilha da Fantasia” é a esse universo fantasioso que se faz alusão. A utopia nunca deixou, no entanto, de fascinar e influenciar pensadores e governantes, na maioria ditadores, ao longo dos séculos. Não é por acaso que Thomas Morus depois de barbaramente sacrificado, acabou sendo santificado pelo Papa Pio XI e, no passado ano 2000, eleito pelo Papa João Paulo II, o Santo patrono dos políticos e dos governantes.


Juscelino Kubitschek de Oliveira é um desses governantes abençoados por São Tomás Morus. Felizmente para o Brasil a visão utópica de Kubitschek é uma visão generosa. Ela exprime-se na contracorrente da maioria dos políticos e ditadores, que frequentemente utilizam a utopia para saciar a própria sede de poder e dominação. André Malraux está ciente disso ao declarar ao Presidente Kubitschek quando da sua visita ao canteiro de obras que ainda era Brasília em finais de Agosto de 1959: “Como o senhor conseguiu construir tudo isso, Presidente, em pleno regime democrático? Obras como Brasília só são possíveis sob uma ditadura” (citado no livro de Juscelino Kusbitscheck, "Porque construí Brasília", pag. 195)

O vigésimo terceiro Presidente da República Federativa do Brasil, inspira-se na utopia, contra ventos e marés, sempre com a sombra da ditadura militar pairando no ar, para tornar realidade esse acalentado velho sonho brasileiro - por tantos considerado pura utopia - de dar ao Brasil uma nova capital. Contrariando o ideário utópico que, levado às suas últimas consequências, mais tem provocado guerras e dissensões do que paz e harmonia, empreende a sua grande obra não sobre ruínas, nem sobre os escombros de metrópoles devastadas, mas sim fazendo surgir do agreste mas majestoso cerrado brasileiro uma Nova Capital para o Brasil. Uma obra criativa e criadora de novas oportunidades, que brota da terra como uma planta brota do solo, que se ergue no espaço movida pela vontade humana, que ganha forma e função alimentada por um ideal compartilhado por homens e mulheres que nele acreditaram, mesmo quando outros o tratavam de insensato. Esse homem, brasileiro entre os brasileiros, tinha a utopia correndo-lhe nas veias.


Saíram logradas as estratégias de Juscelino Kubitschek  ao mudar a capital para o interior inabitado. Enquanto governava o país a partir do Rio de Janeiro sempre pairaram sobre a sua cabeça tentativas intervencionistas e golpistas por parte de seus adversários. Para se defender ele apropriou-se da arquitetura com intenções geopolíticas e mandou construir Brasília. De onde ele previa conter as oposições aguerridas governando longe dos tumultos da antiga capital colonial. O que ele não previu é que isso iria beneficiar os seus opositores. A recém-nascida "cidade radiosa", prometida a irradiar desenvolvimento, prosperidade e bem-estar para todo o Brasil viu-se repentinamente amordaçada por um regime militar que transformou aquele projeto utópico num projeto autoritário que viria a se impor ao país, a partir de Brasília, durante duas décadas.

Durante algum tempo os militares ainda alimentaram a tergiversação de voltar com a capital para o Rio de Janeiro. Mas logo se deram conta que o asséptico espaço urbano de Brasília, com suas dimensões de fazer inveja ao Barão Haussmann, o "artista demolidor" que rasgou através de Paris aqueles imensos boulevards para impedir barricadas, era território fértil para viabilizar a tirania dos atos institucionais que se sucederam.

Uma capital ainda sem escala humana, propícia a manter as pessoas recolhidas à sua insignificância; uma capital sem pedestres com sua monumentalidade gritando: "Mantenha a distância!"; uma capital ainda incipiente formada por funcionários públicos e políticos trazidos para cá "compulsoriamente"; uma capital que separa os governantes dos governados, facilitando a vida dos malfeitores que se sentem a salvo da plebe, pela urbe... enfim, uma capital que cingia como uma luva ao projeto autoritário dos militares e poderosos que souberam tirar disso o melhor proveito... em proveito próprio, é claro.


"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce". Esta máxima do poeta Fernando Pessoa, poderia ilustrar o epitáfio de Lúcio Costa, o mais utopista entre os que conceberam Brasília. É pelo traço dele que a utopia chega ao cerrado. Mas ele não é apenas mais um idealista. Ele é um pragmático. Ele não prega a utopia como um ideal, ele impõe a utopia através da sua arquitetura. Ele não imagina uma Nova Capital com um futuro radioso para o Brasil, ele concebe a capital do Brasil como um lugar para se ser feliz. Em sua última entrevista concedida ao Correio Braziliense em 6 de Outubro de 1997, Lúcio Costa declara: "Tudo em Brasília foi criação, foi tirado da minha cabeça mesmo. Não me baseei em nada a não ser a minha formação de arquiteto e urbanista". Fica aqui bem explícito que ele não estava só nesta aventura. Brasília é o resultado da sua “formação de arquiteto e urbanista”. - Que formação é essa?

Brasília é a única cidade do mundo totalmente concebida obedecendo aos preceitos da Arquitetura Moderna, contidos em cinco requisitos :

  • Planta livre : assenta-se a construção sobre uma estrutura independente que permita a livre locação das paredes, deixando estas de exercer uma função estrutural;
  • Fachada livre: projeta-se a fachada sem impedimentos uma vez que a estrutura não assenta nas paredes;
  • Pilotis: eleva-se o prédio do chão permitindo a livre circulação por debaixo do mesmo;
  • Terraço/Jardim; recupera-se o solo ocupado pelo prédio, transferindo-o para cima do prédio na forma de um jardim;
  • Janelas em Banda: estabelece-se uma relação desimpedida com a paisagem proporcionada pela “fachada livre”.



Estes são os preceitos proclamados pela Carta de Atenas, um manifesto urbanístico resultante do IV Congresso Internacional de Arquitetura Moderna realizado em Atenas em 1933 sob orientação de Le Corbusier. Nesse manifesto ficaram delineados os traços da “Cidade Funcional” onde as áreas residenciais de lazer e de trabalho aparecem setorizadas, separadas umas das outras. O conceito de cidade tradicional, com ruas estreitas nas quais se concentra uma elevada densidade populacional, é substituído pelo conceito de cidade-jardim, na qual os edifícios se localizam em áreas verdes pouco densas. Tais preceitos influenciaram o desenvolvimento das cidades europeias após a Segunda Guerra Mundial, mas em nenhuma outra cidade do mundo eles foram aplicados tão escrupulosamente como em Brasília.O resultado desta revolução urbanística aplicada a uma cidade inteira, projetada para ser a futura capital do Brasil, é uma cidade distinta de todas as outras cidades do seu tempo, cuja estrutura e modo de funcionamento não podia deixar de desconcertar o mais irredutível homus urbanus.

O mundo inteiro sabia que neste bioma do cerrado agreste estava-se construindo uma obra futurista, capaz de fazer corar de inveja o utopista mais ousado; O mundo inteiro sabia que neste Planalto Central tinha toado o toque de alvorada que deveria ecoar em todo o país como o sinal de partida para o desenvolvimento da nação brasileira; O mundo inteiro sabia que aqui se erguiam obras de arte amassadas no concreto que, de tão ousadas, viriam a ser declaradas Patrimônio da Humanidade; O mundo inteiro sabia que homens e mulheres movidos por uma força descomunal, motivados por uma coragem arrebatadora, moldavam no barro vermelho amassado com seu próprio suor, um futuro que eles acreditavam promissor; O mundo inteiro esperava que daqui irradiasse prosperidade e progresso para este imenso Brasil...

Batizada Capital da Esperança por André Malraux antes mesmo de ser inaugurada, Brasília aparece desde logo como a capital da desesperança para muitos dos seus moradores que penam em compreender o funcionamento de uma cidade tão diferente das outras. Muitos ficam desconcertados com tanta criatividade, sem saber como lidar com toda esta novidade, desarmados para interpretar a Nova Arquitetura Moderna que aqui se exprimia, trazida pelo traço de Lúcio Costa.

Aquilo que para o criativo urbanista aparecia provavelmente como óbvio levou anos a ser assimilado pelos recém-chegados à Nova Capital. Em vez de avenidas e grandes boulevards, encontraram imensos eixos monumentais; em vez de ruas pitorescas, encontraram largas vias traçadas a régua e compasso; em vez de cruzamentos emprestando esquinas às ruas, encontraram tesourinhas; em vez de praças encontraram áreas imensas esperando que fossem plantadas a grama e as árvores; Em vez de passeios encontraram os futuros gramados; em vez pátios encontraram quadras; em vez de bairros encontraram superquadras; em vez de semáforos encontraram giratórias; em vez de torres de concreto barrando o horizonte, encontraram prédios sobre pilotis prolongando a paisagem; em vez de lojas viradas para a frente dos prédios encontraram lojas acessíveis pelos fundos...


Oscar Niemeyer que tanto seus admiradores quanto seus críticos apelidam de "escultor de monumentos" exprimiu sua genialidade de arquiteto em todo o mundo mas Brasília deu-lhe a oportunidade de sua vida ao permitir-lhe materializar seus ideais humanistas. Comunista convicto ele declarou: "Nossa preocupação é politica também, para mudar o mundo... Arquitetura é o meu trabalho e eu passei a minha vida inteira em um prancha de desenho, mas a vida é mais importante do que a arquitetura, o que importa é a melhoria do ser humano." Ao contrário de muitos políticos "honestos" que hoje ocupam os edifícios monumentais que ele concebeu, e para onde trazem toda a sua prole para viver à custa do orçamento, ele sempre permaneceu coerente com seus princípios e nunca aceitou favores políticos. Para comprová-lo relato aqui um episódio contado pelo próprio Juscelino Kubitschek em seu livro "Porque construí Brasília": um  dia, conta Juscelino, cheguei perto do Oscar e disse-lhe que gostaria de compensá-lo pelo seu trabalho. Ele respondeu que era bem pago pelo seu trabalho e que não precisava de outra recompensa. Inconformado, Juscelino, arrumou um jeito de reservar a concessão de um cartório notarial em Brasília que ofereceu de presente à filha de Oscar. Quando soube disso, Oscar procurou Juscelino irritado e disse-lhe que não podia aceitar esse tipo de favores, nem sendo sua filha a beneficiada, porque não achava justo. A boa vontade de Juscelino ficou por isso mesmo.

Se tivesse sido elaborado um guia destinado ao Cidadão de Brasília teria, com certeza, alguns capítulos bem curiosos: “Se é peão, agora passa a chamar-se candango, arregace as mangas e vá trabalhar, há muito que fazer, e não reclame, não há tempo a perder. Para dormir ? se for mesmo indispensável, construa o seu barraco onde quiser desde que não o instale no Plano Piloto, ordens do Presidente. Se é arquiteto, procure o Oscar, é ele que assina todos os projetos. Se é engenheiro, consulte o plano e tente imaginar onde fica cada edifício, se conseguir está contratado. Se é servidor público, pode ir dormir, quando o seu gabinete estiver pronto será informado. Se é deputado, vá para debaixo do convexo. Se é senador, instale-se debaixo do côncavo. Se é comerciante, procure o Lúcio, só ele sabe onde se encontram a frente e os fundos das lojas. Se é professor, pegue na colher de pedreiro porque a primeira Escola ainda não foi construída. Se é religioso, vá cantar missa para a capelinha, a primeira edificação verdadeiramente moderna da cidade ..."


Reza a lenda que Diógenes de Sínope, ilustre representante do Cinismo, doutrina filosófica que conheceu algum vigor na Grécia Antiga, caminhava por toda a parte, com uma lanterna acesa em plena luz do dia, procurando uma alma pura. Eu que não sou adepto do cinismo, encontrei um Diógenes dos tempos modernos afirmando que Brasília, a cidade futurista, não tinha alma.

Quando me instalei em Brasília vindo de Lisboa com escala no Rio de Janeiro, escutei o comentário de um passageiro, vizinho de poltrona, que conversava com uma jovem brasiliense, sentada aleatoriamente do seu lado, a quem ele dizia: "Não conheço Brasília, nem tenho vontade de conhecer. Acho que é uma cidade sem alma !" "-Uma cidade sem alma?" Questionou a jovem, visivelmente perplexa com o carácter peremptório da afirmação do companheiro de poltrona. - "Sim, uma cidade sem alma", confirmou ele. - "Mas como o senhor pode afirmar isso se nem conhece Brasília?" Ao que ele respondeu: - "Como pode ter alma uma cidade catalogada com números e letras que jamais invoca em suas ruas os nomes dos seus ilustres habitantes? Ruas sem nome são como pessoas sem alma e por consequência uma cidade onde ruas não têm nomes é uma cidade sem alma." O tom do passageiro era manifestamente provocador e a resposta da jovem brasiliense não se ficou por menos: - "A alma das cidades está nas pessoas que nelas vivem e não nos nomes ilustres inscritos nas placas indicando ruas. Brasília é uma cidade única sem equivalente no mundo." E acrescentou em tom de desafio: "-O senhor é meu convidado para visitar Brasília. Lhe garanto que vai poder ver com os seus próprios olhos e sentir com toda a sua alma que Brasília evoca com orgulho os ilustres pioneiros que lhe deram vida, sem precisar inscrever os seus nomes nas ruas. Verá que Brasília não só tem alma, como tem uma alma nobre." A conversa ficou por ali, o passageiro desceu no Rio de Janeiro e eu passei o resto da viagem pensando no desafio lançado por aquela jovem brasiliense, cuja alma vibrava quando se tratava de defender a honra da sua cidade.

Uma vez instalado na capital, à medida que fui descobrindo Brasília, verifiquei que a grande maioria dos Brasilienses são constituídos da mesma fibra: "Sou apaixonado pela minha cidade, admito que ela não é perfeita, sou o primeiro a criticar os que a maltratam, mas detesto que falem mal desta Brasília que eu amo." Estou casado com uma brasiliense de alma e coração que faz parte desta estirpe e que logo me transmitiu a sua paixão por Brasília.

Alma, que deriva do latim "anima", refere-se ao principio do que é animado, o que faz mover. Considerada deste ponto de vista, a alma de Brasília, tanto anima os que nela habitam como é animada pelos ideais daqueles que a construíram. Dito de outra maneira: Brasília deve tanto da sua alma aos corajosos pioneiros que a construíram, quanto os brasilienses devem o seu carácter e o seu modo de vida à mistica da cidade que os acolheu e que acabou moldando-lhes a alma. Parabéns Brasília pelos seus 60 anos.!

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